Prometo te tratar com amor.

Gente eu não estava em Marte.

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Parei, respirei, pensei e vi muita coisa nesse tempo. As palavras continuaram me acompanhando mas eu quis guardá-las um pouco aqui dentro antes de soltá-las. Mas vocês sabem que palavras não podem ficar muito tempo presas, é igual no relacionamento entre humanos. Se a gente gosta, cuida e deseja que o outro cresça, mas ela (e) é livre.

Então eu voltei com as coisas que vi e li, e com uma bagagem um pouco maior de palavras. E de ações também, que importam muito. Ações que me ajudam todos os dias a tentar ser melhor e me conhecer melhor.

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Aprendi que independente do que os outros veem em você, o mais importante é que você seja cuidadosa (o) com o que você vê em você mesmo. Você precisar cuidar de si como cuida do espaço em que vive, com esmero e amor. Cuidar pra que toda a estrutura que te sustenta por tanto tempo e que passará o resto da vida com você seja acolhedor e amável. Não deixe que outro venha e dite como você deve arrumá-lo. Faço do seu corpo seu melhor amigo e não o trate com palavras feias e sentimentos de ódio e rancor. Ele nunca fez mais nada do que te dar suporte, calor e vida!

Sejam quais forem as suas características, ame-as antes de apontar os detalhes que não te agradam. Isso te ajuda a entender que nada é padrão, que nada é perfeito e que não existe regra para se parecer. Isso vai te ajudar a decidir o que é melhor para o seu corpo, mente e saúde. Isso te ensina a olhar para o outro de forma diferente também, e aceita-lo como ele é. Você entende que não existem defeitos, e sim detalhes.

Marcas contam histórias, cores e formatos são feitos para serem descobertos e decifrados. Tudo mostra um caminho percorrido, por você, por seus ancestrais, pela humanidade. E isso não é lindo?

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Por favor, quando estiver muito insuportável se olhar no espelho, olhe um pouco pra fora. Pra fora de si, da sua mente, da janela. Veja quantos padrões são quebrados só de olhar para a calçada do lado, para as pessoas na padaria, no trabalho, no banco. Não somos feitos em fábricas, com qualidade ISO 9001. Você não é um produto, você foi feito sob medida para viver seus sonhos, para enfrentar seus medos e conquistar amores.

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“Olá, corpo. Você está maravilhoso hoje, e eu prometo te tratar com amor.” – Frances Cannon

Ah,  foi tão bom soltar essas palavras! Tenho orgulho delas agora tão prontas e ao mesmo tempo com tanto caminho para percorrer. Elas vão e eu vou continuar por aqui com as palavras novas que vão chegar.

 

Paz.

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Vamos falar sobre: Dr. House e o Blues

Amo assistir ao seriado House.

Fico reprisando no Netflix incessantemente até enjoar. Porque a relação do Dr. House com suas equipes de diagnósticos é tão turbulenta e impressionante, não é apenas medicina e sim um estudo desinteressado das relações humanas, da ética, e da nossa relação com a dor e a tristeza.

A personalidade desse médico nada convencional nos atrai de uma forma que nos pegamos as vezes por aplaudir condutas que na verdade são censuráveis. Mas um lado dessa personalidade que mais me atrai é a sua sensibilidade para a música, mais especificamente para o blues. Na série ele toca piano, mas na vida real também é ligado a música. O ator Hugh Laurie também é um premiado músico britânico.

E como com todos aqueles que eu admiro o trabalho e a vida, não me privei de ir em busca de um pouco mais dessa arte que ele aprecia, e que não achei que fosse mal beber da mesma fonte.

Primeiro um pouco de didática resumida:

O blues teve sua origem na expressão cultural através da música de uma minoria ligada à população negra americana. Eles procuravam redenção na música, tentando explicar através dela seus sentimentos, e por um bom tem tempo o blues foi o reflexo dos negros… O blues foi criado por músicos que não tinha conhecimento teórico musical e por isso tinha como fundamento a improvisação das letras e improvisação instrumental, que é uma das principais diferenças do Blues em relação ao Jazz.

Fonte: Agudos e Graves

Não vou discorrer aqui sobre grandes nomes do Blues e de sua história, mas sobre o que eu senti ao ouvi-lo. Como eu falava de poesia e poemas agora há pouco, deixei a criatividade voar por essa letra que é um verdadeiro poema:

So many days since you went away
I often think of you night and day
But I know that someday
Someday darling I won’t be trouble no more
Trouble trouble and misery
Is about to get the best of me
But I know that someday, someday darling
I won’t be trouble no more

I told you my story
I sang my song
about you leaving baby
you know that’s wroing
But oh, someday, someday darling
I won’t be trouble no more

Como no poema, ouvi a letra algumas vezes até começar a criar um cenário na minha mente. A impressão que tenho é que houve, claro, um término de relacionamento e a música fala sobre a promessa de ser melhor, de mudar, pois agora ele é só “Trouble trouble and misery” (problema e miséria). Então eu me encontro em um ambiente mais escuro e com fumaça de cigarro, em uma época de glamour mas também de opressão. O relacionamento já desgastado pelos tropeços e caídas do parceiro, e por fim o abandono. O ex-parceiro não conseguiu largar dos maus vícios, as manias erradas e acabou sufocando qualquer sentimento. Quem se foi não vai voltar, provavelmente, pois já esgotou suas esperanças. Mas o ex-parceiro acredita em sua própria promessa, um dia ele não será mais o problema.

Olha ai o texto nos contando mais do que as palavras podem dizer! Claro que foi mais uma descoberta maravilhosa. Isso é mágico. Eu já tinha tido experiências com o jazz e o blues e gostado muito, mas esse novo olhar para a poesia deixa o mundo um pouco maior.

Pra finalizar, não posso deixar de exemplificar o ótimo trabalho de Hugh Laurie:

Fascinante!

Paz.

Vamos falar sobre: GIFS LEGAIS ou RuPaul Drag Race

Vocês já viram muitos gifs por aqui. Eu sei.

Acho que eles dão uma alma divertida para os textos, e assim consigo me expressar melhor já que vocês não podem ver meu lindo rostinho enquanto converso com vocês:

Doida

E os que eu mais gosto de usar são da série mais sensacional que assisti esse ano: RuPaul’s Drag Race! Amo demais esse programa e principalmente o apresentador. Essa série que parece mais um reality mostra divas Drag Queens em uma corrida para ganhar a coroa e ser a próxima Drag Queen da América. A série é exibida aqui no Brasil pelo Netflix e nos Estados Unidos pela Logo TV.

Existem vários motivos por eu idolatrar essa série, e o maior deles é que elas são tão confiantes e demonstram um amor próprio gigante! Talvez pelas dificuldades que já enfrentaram na carreira e na vida pessoal, ou até mesmo pelo apoio da família que tiveram (que é muito importante). Só sei que aprendi muito com essas divas, tanto que o lema maior do programa é:

If you can’t love yourself, how in the hell you gonna love somebody else?

*Se você não consegue se amar, como poderá amar outra pessoa?

Os principais ensinamentos que tirei das 6 temporadas que assisti foram:

  • Não desista, a vida pode ser dura mas você é mais.
  • Acredite no seu potencial.
  • Não deixe os outros dizerem que você não pode, se eles não pagam sua conta é melhor nem dar ouvidos.
  • Dê o seu melhor sempre, se você voar ou cair pelo menos você sabe que fez o melhor,
  • Saiba lidar com o sucesso, não tenha medo dele.
  • Não ofusque ninguém, mas sempre brilhe mais.
  • Supere suas dificuldades, e reinvente-se. Principalmente no show business.
  • E claro: You better work!

O programa funciona da seguinte forma. Em cada episódio existe o mini desafio, que dá direito a vencedora uma vantagem no desafio real. O mini desafio vai desde a fazer chapéus excêntricos e criativos, até ler as suas rivais. Mas como assim ler?? Isso mesmo, quando Mama Ru diz: “The library is open”, quer dizer que agora você pode fazer um bulling com as outras divas. Se  você consegue ser criativa e engraçada leva a vantagem.

Os desafios que mais gosto são o Snapchat e aquele em que elas tem que transformar um homem, geralmente heterossexual e que nunca teve experiências como drag, na própria diva. O Snapchat é estilo programa de auditório onde as drag tem que personificar algum artista e  deixá-lo engraçado. A velha e boa imitação.

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Os jurados também fazem parte do show e podem deixar tudo tenso ou engraçado, meus preferidos são Michele Visage e Santino Rice. Mas vários artistas já participaram como Elvira a Rainha das Trevas, Wanessa Williams, Latoya Jackson, Fantasia e Jennifer Love Hewitt.

Michele e Santino

Em cada prova uma diva é eliminada (algumas vezes aconteceu da Mama Ru não eliminar ninguém e em outras eliminou duas de uma vez só!) mas antes disso as duas piores da prova tem que batalhar pela sua vida no famoso Lip Sync (dublagem)

E depois quem perde leva uma frase de inspiração da diva mor e sai com um bonito Sashay Away, que pode ser traduzido como uma saída em um passo de balé (veja aqui)

E é interessante também saber que tudo isso ajuda e afeta muitas pessoas, que se espelham nelas e conseguem lidar com toda o julgamento que sofrem por quererem seguir essa via artística. Realmente não é fácil. A  Drags recebem muitas cartas e depoimentos de pessoas que querem seguir o mesmo caminho mas não sabem como, seja por rejeição da família e dos amigos ou por medo da sociedade em geral.

Não posso deixar de falar um pouco sobre o apresentador: RuPaul Andre Charles. Ele utiliza o mesmo nome para sua persona, e já fez muitos trabalhos anteriores a esse. Ficou famoso em 1990, e participou de vários filmes e musicais. Segue abaixo uma matéria feita para a Revista Rolling Stones:

É meio chocante no começo. Não que o rosto sem maquiagem de RuPaul não seja bonito: a pele é impecável e levemente marcada por sardas. De certo modo, é até melhor – mais convidativo, com uma sinceridade mais aberta do que a persona de diva que o tornou a drag queen mais famosa do mundo há duas décadas. “Se eu nunca mais voltar a me montar”, afirma ele, “não vou nem ligar. Não tem essa importância toda para mim. Nunca teve.” Hoje, ele está vestido com um terno listrado, com três botões abertos, deixando à mostra o peito liso. É assim que ele se veste quase sempre. E esta não é nem a maior mudança em RuPaul no momento. Se estivéssemos com ele quando se tornou uma grande estrela, em 1993, estaria bebendo. E fumando. Haveria uma chance de que tivesse tomado ácido no dia, e certamente estaria envolvido com maconha, uma vez que foi um fumante dos 10 aos 39 anos. E, claro, haveria o fato de este homem negro de quase 2 metros de altura estar trajando vestido e peruca. Aquele antigo RuPaul é irreconhecível se comparado ao que me encontrou em um café em West Hollywood às 7h da manhã de uma sexta-feira recente. Muitas vezes ele tem de esperar a academia abrir, às 5h. A sessão de meditação ou caminhada começa às 6h30. O RuPaul a que você assistia fazendo dueto com Elton John nos anos 90 jamais aparecia na TV vestido como homem, mas o Ru – como ele se apresenta, e como é chamado por fãs e amigos – se mostra desarmado, sem trajes e enfeites. O ofício de drag agora é papel dos concorrentes do bem-sucedido reality show RuPaul’s Drag Race (exibido nos Estados Unidos no canal Logo). “No momento, faço mais sucesso do que quando surgi”, conta Ru. Aos 52, ele está plenamente realizado e afirma não beber desde 1999. “Já passei muito da minha cota”, diz.

por Mac McClelland | Tradução: J.M. Trevisan

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As participantes também dão o que falar, cada uma na sua personalidade mais louca e corajosa.

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Não tem como não se apaixonar por todas essas histórias de vida, superação e claro: muita intriga e baixaria fofoca. Segurem as perucas! Não vejo a hora do Netflix liberar a 7º temporada.

Paz.