Descobri quem é Wolfgang.

Descobri também que gosto de música clássica. Sou careta demais pra minha idade?

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Esse senhor ai parece ser. Não posso julgá-lo dessa forma porque ainda não o conheço tão bem. Mas conheço o seu nome agora: Wolfgang Amadeus Mozart (ou Johann Chrysostom Wolfgang Amadeus Mozart). Quando eu iria imaginar??

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Tudo bem que não há nenhum brilhantismo nessa descoberta, mas pra mim foi bem perturbador. Sempre achei que fosse apenas Mozart, simples assim. E o mais perturbador foi que não tive sono, tédio ou coisa parecida quando ouvi suas músicas. Evolução ou quebra de preconceitos? Talvez ambas as expressões signifiquem a mesma coisa, não é?

Piano Sonata nº 12. Me senti em um palco sendo levada pela música, e quis voar! Não era uma brisa, eu juro.

Lacrimosa. Essa toca fundo na alma, te leva pra outra dimensão. Uma distopia talvez.

Le Nozze di Figaro. Quero que essa sonata toque todos os dias quando eu sair de casa. Juro que vou sair saltitando de casa!

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Então imaginei como seria incrível ler acompanhada dessa trilha sonora. Quanto isso impulsionaria minha imaginação e daria um up grade para a história? Não sou especialista em Wolfgang (já somos quase íntimos), mas tenho certeza que encontraria uma música para cada tipo de história.

Estou preparada para quebrar as batutas do preconceito e mergulhar nessa experiência.

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Vou juntar as coisas que mais me emocionam hoje em dia: ler e ouvir Amadeus (adoro brincar com os nomes dele rsrs).

O próximo Impressões de Leitura virá com um sabor diferente.

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Beijo do Wolf 😉

Paz.

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Vamos falar sobre: Dr. House e o Blues

Amo assistir ao seriado House.

Fico reprisando no Netflix incessantemente até enjoar. Porque a relação do Dr. House com suas equipes de diagnósticos é tão turbulenta e impressionante, não é apenas medicina e sim um estudo desinteressado das relações humanas, da ética, e da nossa relação com a dor e a tristeza.

A personalidade desse médico nada convencional nos atrai de uma forma que nos pegamos as vezes por aplaudir condutas que na verdade são censuráveis. Mas um lado dessa personalidade que mais me atrai é a sua sensibilidade para a música, mais especificamente para o blues. Na série ele toca piano, mas na vida real também é ligado a música. O ator Hugh Laurie também é um premiado músico britânico.

E como com todos aqueles que eu admiro o trabalho e a vida, não me privei de ir em busca de um pouco mais dessa arte que ele aprecia, e que não achei que fosse mal beber da mesma fonte.

Primeiro um pouco de didática resumida:

O blues teve sua origem na expressão cultural através da música de uma minoria ligada à população negra americana. Eles procuravam redenção na música, tentando explicar através dela seus sentimentos, e por um bom tem tempo o blues foi o reflexo dos negros… O blues foi criado por músicos que não tinha conhecimento teórico musical e por isso tinha como fundamento a improvisação das letras e improvisação instrumental, que é uma das principais diferenças do Blues em relação ao Jazz.

Fonte: Agudos e Graves

Não vou discorrer aqui sobre grandes nomes do Blues e de sua história, mas sobre o que eu senti ao ouvi-lo. Como eu falava de poesia e poemas agora há pouco, deixei a criatividade voar por essa letra que é um verdadeiro poema:

So many days since you went away
I often think of you night and day
But I know that someday
Someday darling I won’t be trouble no more
Trouble trouble and misery
Is about to get the best of me
But I know that someday, someday darling
I won’t be trouble no more

I told you my story
I sang my song
about you leaving baby
you know that’s wroing
But oh, someday, someday darling
I won’t be trouble no more

Como no poema, ouvi a letra algumas vezes até começar a criar um cenário na minha mente. A impressão que tenho é que houve, claro, um término de relacionamento e a música fala sobre a promessa de ser melhor, de mudar, pois agora ele é só “Trouble trouble and misery” (problema e miséria). Então eu me encontro em um ambiente mais escuro e com fumaça de cigarro, em uma época de glamour mas também de opressão. O relacionamento já desgastado pelos tropeços e caídas do parceiro, e por fim o abandono. O ex-parceiro não conseguiu largar dos maus vícios, as manias erradas e acabou sufocando qualquer sentimento. Quem se foi não vai voltar, provavelmente, pois já esgotou suas esperanças. Mas o ex-parceiro acredita em sua própria promessa, um dia ele não será mais o problema.

Olha ai o texto nos contando mais do que as palavras podem dizer! Claro que foi mais uma descoberta maravilhosa. Isso é mágico. Eu já tinha tido experiências com o jazz e o blues e gostado muito, mas esse novo olhar para a poesia deixa o mundo um pouco maior.

Pra finalizar, não posso deixar de exemplificar o ótimo trabalho de Hugh Laurie:

Fascinante!

Paz.

Poemas: estou fazendo isso errado.

Descobri que ler poemas não é tão simples assim.

Sempre achei que fosse questão de gosto, que não era minha praia, que era coisa de gente muito viajada (na maionese). Mas meus queridos, cai do cavalo e o tombo foi feio. E foi lindo também.

Vou explicar. Um dia desses eu estava assistindo um filme chamado “Mentes Perigosas” e a história era a já conhecida sobre a professora (o) que tem um grande desafio pela frente ao assumir uma classe de alunos desacreditados por todos e com um péssimo comportamento. Mas o que  fudeu  explodiu com minha mente foi a aula sobre como ler poemas. A professora explicou a necessidade de interpretar e reconhecer os códigos dos versos. Poemas não são feitos no sentido literal!

Foi nesse momento que eu pensei: estou fazendo isso errado. Então resolvi pesquisar mais sobre isso, já que minha memória sobre o que é poesia, poema, e soneto já estava bem fraca. Segue um resumo que gostei bastante:

No sentido etimológico, poesia vem do grego poiesis, que pode ser traduzido como a atividade de produção artística ou a de criar ou fazer. Com base nisso, a poesia pode não estar só no poema, mas também em paisagens e objetos. Trata-se, enfim, de uma definição mais ampla, que abarca outras formas de expressão, além da escrita.

Já o poema também é uma obra de poesia, mas que usa palavras como matéria-prima. Na prática, porém, convencionou-se dizer que tanto o poema quanto a poesia são textos feitos em versos, que são as linhas que constituem uma obra desse gênero.

Por fim, o soneto é um poema de forma fixa. Tem quatro estrofes, sendo que as duas primeiras se constituem de quatro versos, cada uma, os quartetos, e as duas últimas de três versos, cada uma, os tercetos. Todos eles têm dez sílabas poéticas, classificando-se como decassílabos. Os sonetos costumam ter uma estrutura semelhante. O texto começa com uma introdução, que apresenta o tema, seguida de um desenvolvimento das ideias e termina com uma conclusão, que aparece no último terceto. Essa é, em geral, a estrofe decodificadora de seu significado.

Fonte: Nova Escola

Também assisti a algumas aulas online sobre como ler poemas e interpretá-los, então vou fazer um teste e vocês podem dizer o que acharam. O que foi mais comentado é que cada leitor pode interpretar um poema de uma forma diferente, dependendo das experiências já vividas, sentimentos atuais e compreensão de mundo. E uma dica interessante é trabalhar com a musicalidade do poema, pois como obras de arte a música e a escrita se encontram diversas vezes nos versos.

Esse poema eu li hoje no blog A Parte e o Todo de Mim da Cris Campos. Obrigada Cris pela autorização de utilizar esse belo poema!

aqui onde você
metal e pluma
num todo só
serpeiam penugens

labirinto natural de reações
ideia concreta de sentidos
delicados mapas

rios que beiram terras
num dia que não finda
e nem quer.

A minha impressão mais forte depois de lê-lo 2 vezes (dizem que ler o poema várias vezes é fundamental) é de que o corpo humano está sendo retratado nesses versos, em uma situação de corpos se descobrindo:

labirinto natural de reações
ideia concreta de sentidos

A parte  das penugens também me chamou atenção para isso. “Metal e pluma“, esse verso me fez pensar em quanto somos fortes e sensíveis ao mesmo tempo. Temos pele e músculos que nos protegem fisicamente, mas não só isso. Nossa mente também nos fazer sentir muitas vezes poderosos quando estamos de bem com quem somos. Mas ao mesmo tempo somos sensíveis as palavras, ao toque de quem gostamos, e aos sentimentos que não controlamos. Por isso choramos, rimos, ficamos depressivos, voamos leve quando estamos amando, mas nos despedaçamos quando somos incompreendidos ou decepcionados.

Como eu disse, o tombo foi lindo. Vocês podem perceber quanto sentimento, informação e história tiramos de um único verso? Estou extasiada com essa nova janela que abriu no meu pequeno mundinho.

Então, possivelmente verão mais impressões de leitura de poemas por aqui. 😉

Paz